
Cena do Rio
O cenário: Ônibus lotado (ok, não estava lotado, só cheio mesmo), saindo do trabalho às 17:30 numa sexta-feira de chefe descontrol, atrasada para ir buscar a baixinha, com fome, com bolsa, com sacola e com sapato apertado.
Cena 1: Cerca de 5 pessoas uniformizadas com menos de duas décadas de idade e mais de duzentos decibéis entram no bendito lotação.
Cena 2: Eu, com cara de poucos amigos.
Cena 3: Criatura masculina nos seus 40 passa pela roleta. Roupa engruvinhada (adoro essa palavra), figura de uma excentricidade ímpar.
Cena 4: Eu, metamorfoseando-me em bagaço.
Cena 5: Em meio à poluição sonora, - vide Cena 1 - o indivíduo da Cena 3 imposta sua voz tão macia quanto uma cama de faquir e canta em altos brados "Mentira, mentira, foi tudo mentira, falsas juras de amor, enquanto eu só sofria." E pára.
Cena 6: Adolescentes às gargalhadas e eu, querendo pular da janela.
Cena 7: Repete-se a Cena 5
Cena 8: Adolescentes batem palmas e eu, quase pulo da janela.
Cena 9: Repete-se a Cena 5
Cena 10: Eu me rendo ao sorriso que me ataca enquanto o Ônibus inteiro se esbalda em bravos e bis.
Cena 11: Repete-se a Cena 5
Cena 12: Salto do ônibus a tempo de pegar a Bruna sem pressa, cansada sim, mas com o coração em festa e um acesso de risos que me acompanha até o dia seguinte.
Moral da história: Quando a coisa estiver muito ruim pro seu lado arrume motivo para rir. Aposto que vai te fazer bem.
Diz alguma coisa!

Faz mais de ano.
Depois de alguns "adeus" e alguns "benvindo!". Alguns soluços e sorrisos, abraços e esquecimentos. Depois de eternidades e instabilidades, livros lidos e filmes perdidos, dramas, comédias e prioridades alternadas. Apesar de tudo, apesar de todos e apesar de mim, depois de ano, eu tento voltar.
Dizer que a mulher "é de Lua" com o objetivo de comparar as fases de ambas é uma tremenda besteira. Mesmo porque a Lua só tem quatro fases. Eu posso ter quatro fases em um dia, até meio!
Segundo o IBGE, a expectativa de vida da brasileira chega perto dos 72 anos, por baixo umas 7.200 fases (diferentes).
Acabei de voltar da fase primária de "exclusivamente mãe" para a fase "eu também existo". Depois explico isso com mais calma.
Enquanto houver uma estória, ainda há tempo. Eu sumi, mas tô viva!
Diz alguma coisa!