
Palavra
Queria algum dia revelar os momentos brancos de um Documento 1 do Word que vez ou outra me maltrata. Eu tenho um infinito de idéias e coisas para contar na cabeça, mas devo ter perdido a destreza que as organiza no papel. Mesmo que este papel seja virtual e tenha como título temporário o infame "Documento 1 Microsoft Word".
Eu já sentei, olhei, chorei, praguejei, resmunguei e nada. Liguei o som, desliguei o som. Conversei com a joaninha em cima do computador. Ah, que saída mais fácil esta da joaninha. Elas sempre entendem, sempre concordam, sempre assinam embaixo. Eu preciso deste aval, entende?
Enfim, depois de não achar saída para tanta angústia constante do canto superior esquerdo do peito, o Documento 1 possui uns dizeres desconexos e umas frases sem sentido. Apago tudo, afinal são mais 3 parágrafos mal escritos. Não, não, volto e deixo assim mesmo. Daqui não sai mais nada hoje. Quem sabe eu repito este procedimento nos próximos dias e consigo escrever algo inteligente, brilhante!
Nossa, depois dessa deu até para um quarto parágrafo! A joaninha ficou orgulhosa. É, amanhã tento de novo. Hoje acho que o Documento 1 será salvo e ganhará um título. Isso, "Documento 1".
Quinto parágrafo. Ensinaram-me a fazer conclusão. Saca começo, meio e fim? Acho que foi The Doors. Nem contei, mas durante o processo acima descrito eu coloquei o cd do Doors bem baixinho. O céu ficou até mais azul... Nãaaaaaaaaaaaaao, por favor, tentem abstrair a última frase, não posso destruir o Documento 1 com uma frase piegas. Como termino isso então? Tem que ser aberto, abstrato... Já sei! Reticências! Ah, as reticências... que mistério, que charme, que audácia possuem as reticências...
Diz alguma coisa!

Que o comportamento teimoso de mula morta, empacada e empalhada dos homens é genético, não há dúvida. O Projeto Genoma, inclusive, tenta encontrar a raiz do problema no cromossomo Y.
Afinal, um Y nada mais é do que um X pulando numa perna só. O cromossomo X, duplamente companheiro feminino, equilibra-se firme e forte com os dois pés no chão. Racional, inteligente, perspicaz. Consciente de seu papel na cadeia de DNA. Já o Y, achando que está sempre certo e que pode tudo, tenta pateticamente se firmar num pé só e ainda fica berrando "Ó, tá vendo? Tá vendo?" desdenhosa e debochadamente.
Então, eu, uma XX de primeira qualidade resolvo cismar com um XY intransigente. Coisa boba. Basicamente se tratava de provar que o ator tal de um filme ruim era o mesmo que atuava em um outro filme pior ainda. Googles depois tenho, ainda que dolorosamente, dar a mão à palmatória. A raiva corre nas veias ao ter de confirmar "É, você tinha razão."
E, mais uma vez, meu querido e pomposo X tem que aturar um Y histérico às gargalhadas. C'est la vie. Da próxima vez eu ganho.
Diz alguma coisa!