
Ego
Esse espaço é dedicado única e exclusivamente aos meus caprichos. Diferente do que possa inicialmente parecer, não há qualquer compromisso crítico, intelectual, informativo, educacional ou outra boçalidade qualquer. Vim a passeio. Não há nenhuma intenção em promover debates sobre assuntos de interesse geral, a não ser os de meu exclusivo proveito, ou seja, benéficos à minha pessoa.
Se em alguns momentos deixei escapar algo que possa parecer provido de conteúdo, fique claro: trata-se apenas de uma necessidade passageira de carícia ao ego.
O momento então é o de manifestar sua profunda admiração aos meus comentários cotidianos, à minha infinita criatividade, ao bom gosto estético. Aceito, é claro, críticas e reclamações, que serão imediatamente deletadas.
É, não é sem motivo que reprimimos nosso ego. Seríamos todos insuportáveis...
Diz alguma coisa!

Quando o gênio da lâmpada maravilhosa, gordo bonachão, surgiu nublado na minha frente, eu travei: era a situação mais temível de todas, ter de fazer três pedidos.
Como se meu rosto denotasse tamanho desconforto, rapidamente o gênio deu uma gargalhada e disse que aqui, no Brasil, era apenas um desejo por pessoa. Muita desigualdade social, alegou. Dividia melhor as concessões de forma que mais pessoas fossem beneficiadas.
Sorri amarelo, parte aliviada, parte mais preocupada. O que pedir se meus desejos pessoais e egoístas são tantos, além dos tantos outros sociais e altruístas? É, não ia dar. Ser egoísta era mais certeiro, todos poderiam queixar-se, mas entenderiam que se eu não estivesse bem e realizada, não faria bem a nada nem ninguém ao meu redor. Já se eu fizesse um pedido filantrópico, estaria beneficiando um grupo apenas, e os demais sentiriam-se lesados. Imaginem erradicar o câncer. Ah, onde já se viu? E a AIDS, como ficaria? Então decido acabar com a fome. Tsc, drogados ainda sairiam roubando e matando de barriga cheia. Nada feito.
Dou um suspiro profundo e, como se livrando-me de pensamentos e confusões internas, tentando aliviar o peso da semana, murmuro "Queria desaparecer do mundo".
Meu desejo foi concedido. Sumi. Não retorno ligações, não leio livros, blogs, revistas, não escrevo, não termino de arruamar meu armário, não vou na casa da mamãe, não tudo e não nada.
Desculpa esfarrapada? Bem, pelo menos eu tentei.
Diz alguma coisa!

Na hora do almoço fui a um restaurante. Às vezes, quando me sento à mesa de um restaurante e o garçon demora mais de 10 minutos para trazer o cardápio ou me perguntar se eu quero tomar alguma coisa, me dá vontade de sair correndo pelas outras mesas, roubando comidas e bebidas de outros clientes. Só para causar estranhamento.
Ok, admito que agora endoidei de vez, mas é que no "mundim muderno" de hoje, sobressai quem é diferente. A mais bela, a mais feia, a mais magra, a mais gorda. Como sempre fiz parte dos 90% da população que se encontra no meio do caminho, quem sabe se eu for a mais maluca não ganho um Prêmio Nobel? Ou uma camisa de força...
Diz alguma coisa!

- Se você não acredita em Deus - e por consequência no Diabo - não deveria ter medo de filme de terror.
- Mas tenho, ué. Não acredito em zumbis, mas tenho medo de filme de zumbi!
- Criaturas demoníacas não deviam te meter medo. Ou você acredita ou não acredita, ora.
... Alguns momentos de completo silêncio e pensamentos inconvenientes ...
- Sentimento não se explica e pronto, tenho medo e acabou, sem explicação. Desliga a tv pelo amor de Deus!
- Mas você disse que não acreditava em Deus.
- Argh!
Diz alguma coisa!

Parece besteira falar - novamente - da loucura da vida moderna. Mas hoje mesmo eu estava indo pro trabalho e ... sabe o trim-trim, que para mim ou para o leitor amigo significa telefone? Pois é, no bendito ônibus lotado de hoje de manhã me veio o pensamento que para as próximas gerações esta não será mais uma onomatopéia tão característica. Diga pra mim a quanto tempo você não escuta um telefone fazer trim-trim? Eles fazem todos os barulhos do mundo, menos trim-trim!
Depois dessa elocubração racional - que consiste apenas de uma teoria talvez infundada - o pensamento seguinte foi mais espantoso: "Tô louca". Afinal quem, em sã consciência, perde seu precioso tempo pensando nisso?
No we're never gonna survive unless we are a little crazy...
Diz alguma coisa!

Mulher é mulher e homem é homem (bela conclusão, diga-se de passagem). E nenhum homem é capaz de imaginar a felicidade que dá comprar sapatos novos. Chega a beira do indescritível. É uma futilidade da qual até a mais intelectualizada das mulheres se deixa aproveitar.
Vou tentar explicar aos leitores do sexo oposto e à meia dúzia de mulheres mutantes que me chamarão de imbecil assim que lerem a frase acima: imagine que você está no escritório, no meio de um feriado prolongado (que só você não pode enforcar), num calor digno da residência de Lúcifer quando de repente você descobre na sua mesa um botão que nunca havia visto. No momento em que você aperta o botão abrem-se as portas do armário lateral e depois de uma escada você se depara com uma piscina enorme, uma tv de 780" passando o seu filme preferido e um cooler com cerveja auto-repositora (palavra que eu acabei de inventar).
Imaginou? Pois então, é isso que eu sinto quando compro sapatos novos! Sou fútil mas sou feliz, mas besta é quem me diz...
Diz alguma coisa!

Você vive a vida inteira procurando por um amor porque acha que quando ele chegar, será feliz para sempre. É a síndrome de Cinderela, todo mundo já sabe. Você acha que ele será o seu herói, que te salvará das garras do Brutus, ou de qualquer malfeitor (o seu pai, a sua mãe, o seu irmão, o seu chefe, o seu emprego, o seu vizinho reclamão), afinal de contas, ele tem a força!
Então quando você encontra o tal amor, que te faz feliz, te ama, te completa, mesmo com todo esse amor você percebe que a vida não é um conto de fadas e que ninguém é o super-herói que vai te tirar das mãos do arqui-inimigo porque, afinal de contas, ele é uma pessoa comum, que tem uma vida, problemas, virtudes, diferenças.
Essa idealização do amor-herói só traz desilusão e angústia. Sai dessa. Ninguém derruba monstro algum. Sábios desenhos, que além de darem aquela liçãozinha de moral ainda trazem em todos os finais o Mal com sua risadinha demoníaca, dizendo: "EU VOLTAREI!!!".
Sim, os monstros voltam. E a batalha é diária. Ninguém é feliz para sempre. Mas todo mundo pode ser sempre feliz. Feliz, triste, entediado, raivoso, preocupado. Todos os sentimentos estão aí, sempre e não há como fugir. É a vida, e mesmo assim, com todos os probleminhas, é bonita, é bonita e é bonita.
Diz alguma coisa!

Sabe quando o silêncio dá medo? Aquela hora que você pensa Ok, quem cala consente, mas consente com o quê? Eu não disse nada, ele não disse nada. Silêncio constrangedor.
Você pensa que não tem mais assunto. Será que o amor acabou? Nada pra dizer (pelo menos nada de interessante). Não vou comentar sobre o tempo, afinal não tô no elevador. Será que a culpa é minha? Mas ele também não disse nada! A culpa é dele também. Deve ter alguma coisa mais importante pra pensar do que conversar comigo.
Começa o desespero. Suor frio, mãos geladas. Pensa em alguma coisa, rápido! Pensa, pensa!!!! Nada, um vazio, mente limpa. Você nem lembra do que estavam falando no Jornal Nacional. Não lembra quanto foi o último jogo do Flu. Não lembra do problema que teve no escritório. Nada!
Então você arrisca olhar pra ele. Parece que uma onda de calor entra por todos os seus poros. Só no brilho dos olhos você descobre que a conexão verbal não é tão importante assim. E que o não-dizer-nada já não é mais constrangedor. Que caiu a última barreira. Que o silêncio é reconfortante. E que em alguns momentos é honesto, sincero e suficiente. Então, cala a boca e me beija.
Diz alguma coisa!