and sometimes I don't





Meninas



Quando nascerem, que não as cerquem demais de cor-de-rosa
Quando forem crianças, que as deixem se vestir de homem-aranha
Quando menstruarem, que entendam o que há com seu corpo
Quando derem o primeiro beijo, que haja fogos de artifício
Quando tiverem a primeira paixão, que achem que é para sempre
Quando tiverem a primeira decepção, que saibam que vai passar
Quando tiverem um homem, que desejem que dois sejam um
Quando ficarem grávidas, que tenham coragem e medo
Quando forem mães, que não esqueçam que são mulheres
Quando trabalharem, que não esqueçam que são mães
Quando saírem às ruas, que mantenham o passo firme
Quando chegarem em casa, que fechem a porta sorrindo
Quando forem deixadas, que consigam rir de si mesmas
Quando deixarem alguém, que não sintam culpa de nada
Quando forem felizes, que gargalhem até cansar
Quando ficarem tristes, que não tenham pena de si mesmas
Quando olharem pra dentro, que dispensem o uso de bússola
Quando envelhecerem, que acordem de novo para a vida
Quando morrerem, que reencarnem de novo mulher

Diz alguma coisa!


Bolsa




Esta teoria não é minha, é de um amigo. Ele diz que quanto mais pesada é a bolsa de uma mulher, mais complicada ela é. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão que valha comentar. Às vezes minha bolsa parece uma bola de boliche, outras até cai do ombro sem que eu perceba, de tão leve. Há ainda aquelas em que ela fica em casa, porque dá preguiça de carregar qualquer coisa além de documento, chave e uns trocados. Pensando bem, normalmente são as ocasiões em que mais me divirto, me sinto leve. Será que mulheres sem bolsa se divertem mais?

Diz alguma coisa!


Baby Boom



Não tem muito tempo que você estava preocupadíssima porque tinha outra festa de 15 anos pra ir e não podia usar aquele mesmo vestido azul de novo. Daí, de uma hora pra outra, chega um dia que a sua vida se transforma num baby boom.

Bem, seus óvulos continuam dando sopa no seu útero. Mas várias amigas, conhecidas, colegas, passantes e vizinhas ficam grávidas. E você começa a frequentar chás-de-bebê, reuniões com mães e mulheres grávidas, além de festas infantis. E a sua família pergunta todo dia quando vai ser a sua vez.

O problema se dá quando umas mamães se juntam e começam a falar sobre o parto normal, o arroto do bebê, a amamentação, creche, papinhas e alergias. Não é que você não se interesse pelo papo, mas o que fazer? Não sei quanto a vocês, mas eu muitas vezes me vi emitindo opiniões que mais pareciam ter saído de uma caixinha de clichês. E aí? Será que você migra discretamente para a rodinha dos homens que estão falando algo mais idiota mas que, com certeza, você tem o mínimo de conhecimento? Ou dá sua opinião baseada na sua experiência pessoal - que é zero - e diz que cólica de bebê se cura com laranja lima?

E não é que eu não tenha opiniões sobre bebês (baseadas nos planos de criação de meu filho fictício). Mas o problema é que os hormônios maternais opressores misturados com o papo quase sempre resultam numa doideira do tipo AI, MINHA NOSSA, EU QUERO TER UM BEBÊ AGORA!

E ter um bebê é ótimo, contanto que isso não se transforme num surto de inserção social ou crise de "meu tempo está se esgotando" ou para satisfazer a vontade alheia.

Take it easy (pelo menos é o que eu digo para mim mesma) e vá conversar com os homens sobre suspensão de carro, joguinhos de caças de guerra e solos de guitarra! E continue frequentando as festas infantis, onde as crianças são fofas, o cachorro quente é uma delícia e você não tem que trocar fraldas!
Bom, pelo menos por algum tempo...

Diz alguma coisa!


Blog



O blog é como uma daquela agendas gordas que toda menina tinha. Quanto mais gorda melhor, mais poderosa. Tipo vestido preto novo e salto alto, sabe?!

A agenda tinha todo esse poder. Os ingressos de filme, os comentários diários, um guardanapo do restaurante. Tudo cabia na agenda gorda. Confesso que ainda as tenho guardadas. É bom ver de vez em quando.

E a única diferença delas pro blog é que o blog os meninos podem ler. Acho mesmo que escrever é válvula de escape e continua sendo. Lugar de alegrias, frustrações, paixões, cotidiano, descobertas, enfim, a impaciência da vida. Porque escrever aquieta a mente e descansa a alma.

Diz alguma coisa!


Amigos



Meus amigos são todos assim... metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila... Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim "louco" e "santo".

Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Coisa de louco... Louco que senta, horas e horas, de conversa ou de silêncio, e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Não quero deles só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria... Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem. Mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância, metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto. E velhos, para que nunca tenham pressa.

Preciso deles para saber quem eu sou, pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei que a normalidade é uma ilusão...

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Também


 
- Eu te amo.
- Eu também...
- Pô... Também?
- O que foi?
- Também?
- Qual o problema com o também?
- Não é a mesma coisa.
- Como não? Você falou que me ama, eu disse que também te amo.
- Você tinha que dizer só eu te amo. Sem o também.
- Qual a diferença?
- Muita... Tem muita diferença.
- Você só pode estar maluca. Está estragando um momento lindo...
- Estava lindo, até você falar também.
- Eu não consigo te entender!
- Mas eu consigo! O também me diz que o seu amor não é autônomo, é simplesmente um apêndice do meu. Mais ou menos assim: eu te amo, você está de bobeira, não tem o que fazer e diz: eu também. Argh.

Diz alguma coisa!





O Beiço . E agora, Guto? . Esquem'Armado . Viva a Cidade . Moro em Copa







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